Formas de pensamento – pensar rápido e devagar!

Daniel Kahneman, psicólogo, ganhou um prêmio Nobel de Economia em 2002 por ter escrito uma obra, em dupla com Amos Tversky, chamada “Rápido e Devagar – Duas Formas de pensar”. Imaginem, um psicólogo ganhar um prêmio Nobel de economia!

A obra, de primeiríssima qualidade, traz experiências e conclusões acerca da forma de pensar dos indivíduos e como isso afeta sua tomada de decisões. Economia comportamental pura, assunto pelo qual tenho me dedicado nos últimos anos.

Trazendo uma ideia do que trata o livro de Kahneman, abordarei, resumidamente, as duas formas de pensar, e como podem influenciar os indivíduos nas tomadas de decisões.

O pensamento rápido, que também podemos falar “pensamento 1”, é automático, irrefletido, não pondera. Muitos vendedores, na intenção de nos convencer rápido a comprar, ficam falando sem parar e mostrando produtos e não nos dão tempo para acionarmos o pensamento devagar, também chamado 2.

Não comprar se estiver em dúvida. Sair para tomar um café ou andar um pouco, significa que, com essa simples atitude, você acionará o pensamento devagar, ou simplesmente “pensamento 2”. O pensamento dois é reflexão, ponderação e tranquilidade para a tomada de decisões. Devemos sempre nos dar tempo e acionar o pensamento 2, que funciona em quase todos os setores de nossa vida. O pensamento devagar deve ser acionado nos momentos de discussão, nos momentos de estresse e todos os outros que a boa tomada de decisão ou ação depende de reflexão.

O que ter em mente para racionalizar nossas compras e evitar comprar por impulso, medo, intimidação ou constrangimento? Para evitar aquelas compras desnecessárias que poderão prejudicá-la, seguem algumas sugestões:

  1. Ter em mente que todos os dias, em todos os lugares, você será exposto às ofertas de produtos e serviços, de forma presencial ou digital.
  2. Cada vez que você entrar em suas redes sociais, você será interrompido por publicações patrocinadas (pagas pelo vendedor), que tentarão vender algo para você. Você perceberá que, inacreditavelmente, apareceu para você justamente algo que você estava pensando e deu uma olhadinha no dia anterior ou costuma pesquisar na internet. Isso é o algoritmo tentando te achar. Nesse momento, lembre-se disso e resista. “Pensamento 2”.
  3. Ao entrar em estabelecimentos onde sentimos aquela fragrância maravilhosa, que inexplicavelmente nos excita e aguça nossos sentidos, lembre-se que esta é uma das melhores técnicas de vendas, pois todos desejam viver boas sensações.
  4. Quando você entrar em um estabelecimento e a vendedora, muito atenciosa, te mostrar dezenas de produtos e mesmo assim, você estiver em dúvida se deve ou não levar, aplique o “pensamento 2”, elogie a atenção e competência daquela pessoa que está ali fazendo o seu trabalho, agradeça e saia. Ah, você pode acrescentar que se decidir comprar será com ela. Pegue o nome da vendedora ou um cartão.
  5. Mesmo que você tenha visto algo que precisa e/ou gostou muito e tenha certeza que será uma boa compra, avalie não comprar imediatamente. Saia e tenha um tempo para acessar o “pensamento 2”, que pondera e reflete. Se decidir voltar é porque estará seguro.
  6. Tenha em mente quando sentir um ímpeto louco para comprar, a lembrança de todas as vezes que se arrependeu ou se endividou desnecessariamente por comprar assim, de forma impulsiva.
  7. Quando for com amigas em algum lugar, saiba que você não precisa comprar algo somente porque alguém comprou. Você é única, sua carteira é única, suas necessidades são suas e aquele pode não ser o seu melhor momento.
  8. Quando estiver triste ou insatisfeita e decidir curar-se com compras, lembre-se que buraco emocional nenhum se tampa com bens materiais. Pode até parecer, naquele momento, que aliviou. Porém, não demorará muito para tudo voltar ao estado anterior, até agravado, porque você, geralmente, gastou sem poder e se arrependeu.
  9. Apaixone-se por algo em sua vida, tenha sonhos, busque realizá-los. E, com certeza, evitando compras desnecessárias, tudo fica mais fácil.
  10. Busque conhecimento geral e capacitação na sua área. Pessoas com foco em realizar sonhos e interessadas em coisas imateriais como estudo, comprovadamente compram menos.

Conclusão: Conhecimento nos livra de ciladas do consumo; sonhos nos animam para viver; saber não com elegância nos liberta!

Márcia Brito

Procuradora Federal, Psicanalista e Palestrante. Pós-graduada em Filosofia e Psicoeconomia. Possui vários cursos concluídos no Brasil e Exterior sobre Psicoeconomia, Finanças Pessoais, Gestão do Tempo e Relacionamentos Interpessoais.

Autora de uma série de livros digitais sobre organização financeira, busca educar e inspirar mulheres a adquirir autonomia financeira e emocional.

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