Uma nova era na saúde pediátrica: O que as mães precisam saber sobre a prevenção do VSR

Hoje, dia 17 de março, tive o privilégio de participar de um evento muito importante promovido pela Sanofi: “Uma nova era para a saúde pediátrica”. Como mãe e criadora do Mulheres de Quarenta, sei o quanto a saúde dos nossos filhos e netos é uma preocupação constante. E hoje, o assunto foi sério, mas também trouxe uma excelente notícia: estamos diante de um avanço histórico na proteção dos nossos bebês contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

Se você nunca ouviu falar do VSR ou acha que é apenas mais um “resfriadinho”, preste muita atenção. Ele é o principal responsável por infecções respiratórias graves em bebês e crianças pequenas, como a bronquiolite e a pneumonia. E a boa notícia é que, agora, o Brasil conta com uma nova tecnologia de imunização disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

O que é o VSR e por que ele é tão perigoso?

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é um vírus altamente contagioso. Para se ter uma ideia da sua circulação, duas em cada três crianças são infectadas pelo VSR durante o primeiro ano de vida. Quase todas as crianças terão contato com o vírus até os dois anos de idade.

Embora muitas vezes os sintomas iniciais pareçam os de um resfriado comum (como coriza, espirros e congestão nasal), o quadro pode evoluir rapidamente para algo muito mais grave. O VSR é uma das principais causas de hospitalização em bebês com menos de 12 meses, estando associado a até 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias pediátricas.

Um dado que me chamou muita atenção no evento: mais de 70% dos bebês hospitalizados por VSR nasceram saudáveis e a termo (no tempo certo). Ou seja, o risco não se restringe apenas a crianças prematuras ou com problemas de saúde prévios. Todos os bebês estão vulneráveis.

O cenário alarmante no Brasil em 2025

O ano passado foi um alerta vermelho para a saúde infantil no Brasil. De acordo com dados do OPENDATASUS, o número de internações por VSR em bebês de até 1 ano superou os registros de 2024, 2023 e 2022.

Entre fevereiro e junho de 2025, o Brasil registrou um volume 36% maior de hospitalizações por VSR em relação ao mesmo período de 2024. E a gravidade dos casos foi assustadora: somente em maio do ano passado, 31% dos bebês hospitalizados precisaram ir para a UTI.

Esse aumento sobrecarregou os sistemas de saúde, mostrando que precisávamos urgentemente de uma solução mais eficaz.

A boa notícia: Beyfortus (nirsevimabe) chega ao SUS

A grande novidade que venho compartilhar com vocês é a chegada do imunizante Beyfortus® (nirsevimabe). Desde fevereiro de 2026, ele passou a ser oferecido pelo SUS para proteger nossos bebês mais vulneráveis.

Mas o que é o Beyfortus? Diferente das vacinas tradicionais, que ensinam o corpo a produzir anticorpos (o que leva um tempo), o nirsevimabe é um anticorpo monoclonal. Isso significa que ele já entrega os anticorpos prontos para o bebê, oferecendo proteção imediata e de ação prolongada contra o VSR. É uma dose única por temporada.

O diretor geral de vacinas da Sanofi no Brasil, Guillaume Pierart, destacou no evento: “A disponibilidade de uma tecnologia como o nirsevimabe no SUS representa um avanço importante para a proteção da saúde infantil no Brasil. Ao ampliar o acesso a estratégias inovadoras de prevenção, damos um passo importante para reduzir o impacto das infecções respiratórias graves em bebês.”

Quem tem direito ao imunizante pelo SUS?

Neste primeiro momento, o Ministério da Saúde disponibilizou o imunizante para os grupos de maior risco:

Bebês prematuros nascidos após agosto de 2025 (com idade gestacional inferior a 37 semanas e com até 6 meses de idade).

Crianças com até 24 meses que apresentem comorbidades específicas, como doença pulmonar crônica da prematuridade, cardiopatia congênita, síndrome de Down, entre outras definidas pelo SUS.

Essas crianças podem receber o imunizante ainda na maternidade (se estiverem clinicamente estáveis) ou na Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE) durante a sazonalidade do vírus, que vai de fevereiro a agosto.

E no sistema privado?

Para as famílias de bebês que não se enquadram nos critérios atuais do SUS, o nirsevimabe também está disponível na rede privada. Ele é recomendado para todos os bebês, independentemente de terem nascido a termo ou prematuros, e já possui cobertura garantida pelos planos de saúde (seguindo os mesmos critérios de elegibilidade do SUS).

Resultados impressionantes pelo mundo

Não estamos falando de uma promessa, mas de uma realidade que já salvou vidas em outros países. O imunizante já foi aplicado em mais de 11 milhões de bebês em mais de 45 países. Vejam os resultados incríveis:

Espanha (Galícia): Redução de 82% nas hospitalizações por VSR logo na primeira temporada.

França: Efetividade de 83% contra hospitalizações e 81% contra internações em UTI.

Chile: Redução de 76% nas hospitalizações, 85% nas internações em UTI e zero mortes por VSR em bebês menores de 1 ano durante o primeiro ano de implementação.

Paraguai: Redução superior a 70% nos atendimentos médicos e hospitalizações, também com zero mortesregistradas.

A palavra dos especialistas

Durante o evento, ouvi depoimentos emocionantes de especialistas que lidam diariamente com o sofrimento das famílias.

A infectologista pediátrica Dra. Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, resumiu bem o sentimento: “Durante muitos anos convivemos com um vírus extremamente comum e de grande impacto na infância sem ferramentas amplas de prevenção. A possibilidade de proteger bebês antes do primeiro contato com o VSR abre uma nova perspectiva para reduzir hospitalizações e melhorar o cuidado com a saúde infantil.”

Para as mães de prematuros, o alívio é ainda maior. Denise Suguitani, diretora da ONG Prematuridade.com, lembrou que esses bebês já passam por uma jornada intensa de cuidados na UTI neonatal. “A possibilidade de prevenção contra o VSR traz mais segurança para essas famílias e representa um avanço importante no cuidado com esses bebês”, afirmou.

O recado final

Meninas, a ciência avança para nos dar mais tranquilidade. Se você tem um bebê em casa, um neto, ou conhece alguma mãe recente, compartilhe essa informação. O VSR é perigoso, mas agora temos uma arma poderosa contra ele.

Procurem o pediatra, informem-se sobre o nirsevimabe e garantam que nossos pequenos passem por essa fase com saúde e segurança. A prevenção é, e sempre será, o melhor caminho!

Matéria escrita por Vanessa Palazzi, diretamente do evento “Uma nova era para a saúde pediátrica”, realizado pela Sanofi em São Paulo.

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