Me ajude! Não me julgue! Não me culpe! “EU NÃO SABIA”

“Eu não sabia” é a frase que mais escutamos das vítimas dos relacionamentos abusivos.

É importante entendermos que além da pouquíssima informação, da falta de comunicação aberta sobre este assunto, o relacionamento abusivo se aproveita da vergonha que a vítima sente por ser alvo desta violência, que nessa dinâmica faz com que ela acredite que só acontece porque ela não é boa o suficiente, ou seja, a culpa do abuso, recai sobre a vítima na relação entre vítima e abusador.

O tabu que ainda paira sobre a violência contra a mulher, o preconceito, o julgamento da sociedade, dos familiares também não ajudam. Está na hora de não mais julgarmos a vítima, sob hipótese alguma. De nos conscientizarmos de que um relacionamento abusivo realmente a adoece. Adoece emocionalmente, mentalmente e até fisicamente.

A co-dependência emocional e a destruição da auto-estima e da autoconfiança, aliadas à falta de suporte social e familiar deixa a vítima com um sentimento de “sem saída”. O medo de provocar uma reação ainda pior no abusador paralisa. A esperança de que se ela for melhor, se ela souber levar ele melhor, que ele seria perfeito novamente (como ele quer que ela acredite e os abusadores fazem isso com maestria) faz com que a vítima, infelizmente, muitas vezes perca a vida antes de perder esta falsa esperança.

A vítima não é louca nem burra. Ela está doente e precisa de ajuda, de suporte, de segurança e de informação.

Essa moça linda na foto, é a Jornalista Abi Blake, inteligente, bem sucedida, e ainda assim foi quase morta pelo marido, e só então pôde perceber que estava vivendo um relacionamento abusivo.

Para que você compreenda e talvez consiga julgar menos uma vítima que não se libertou ainda do abusador, você precisa saber quer os abusadores não são cruéis ou violentos 100% do tempo. Não. Eles normalmente são extremamente hábeis no bater e também no afagar. No início da relação, eles realmente parecem ser os melhores parceiros do planeta! E sabem como fazer com que a parceira se sinta a rainha da cocada, a princesa das arábias, a mulher mais sortuda do universo, e é aí, nesse endeusamento e nessa idealização um do outro que encontramos o fio da meada, o ponto de partida para uma ladeira a baixo. Porque a vítima se torna viciada e dependente desse lugar de mulher ideal, cada vez mais, e quanto mais ele destrói a autoestima e o amor próprio dela, mais ela precisa desesperadamente que ele jogue a ela migalhas que alimentem a fantasia da mulher perfeita e do casal perfeito que um dia ele fez com que ela acreditasse que eles eram, que haviam tirado a sorte grande, e que por fim, ela terá que passar a vida rastejando e agradecendo por ter ele, perfeito, ainda ao lado dela.

Gente, é muito triste!

E por mais que pareça absurdo cair neste “golpe”, neste conto do vigário, não, não é! Ninguém está livre, porque não são apenas mulheres assim ou assado, somente as fracas, as burras, não, ao contrário! Pode acontecer com qualquer uma, porque somos todas desavisadas, e não sabemos identificar, ou pelo menos não sabíamos nem identificar este padrão, nem nos previnir dessa arapuca.

Texto de Fabiana Guntovitch, psicanalista da alma feminina e especialista em relacionamentos❤

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